Prisão de Palocci acende de vez sinal vermelho no PT

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Apesar de esperada há muito tempo, a prisão do ex-ministro Antonio Palocci acende de vez o sinal vermelho na cúpula petista por ser mais um passo da Lava Jato na busca de identificar as ligações financeiras entre o Palácio do Planalto dos governos Lula e Dilma e o esquema de corrupção que teria sido montado pelo PT.

Dentro do Partido dos Trabalhadores, a avaliação é que as últimas operações da Lava Jato, mandando prender dois ex-ministros da Fazenda petistas, Guido Mantega e Antonio Palocci, indicam claramente que os investigadores têm como meta final incriminar os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. Além disto, petistas receberam informações de bastidores apontando que a Lava Jato já tem na mira outros assessores que trabalharam em posições estratégicas dentro dos governos do PT.

Em outras palavras, o cerco da Lava Jato entrou em nova fase. Antes da cassação de Dilma Rousseff, as operações focavam as relações de políticos e dirigentes petistas com os esquemas de corrupção que teriam sido montados na Petrobras e no setor elétrico. Depois do impeachment da ex-presidente, o PT nutriu a expectativa de que o foco da Lava Jato seria o PMDB de Michel Temer, o que gerou certo alívio no partido. Principalmente depois da delação do ex-presidente da Transpetro Sergio Machado, que derrubou três ministros do governo do peemedebista.

Só que, logo depois de uma parada estratégica da Lava Jato, durante o período dos jogos olímpicos, os investigadores colocaram em andamento outras fases das operações mirando o centro do poder durante os governos Lula e Dilma Rousseff. O novo foco dos investigadores chega ainda na reta final das campanhas municipais, nas quais os candidatos petistas estão em situação delicada. O principal exemplo está em São Paulo, onde o prefeito Fernando Haddad, criação de Lula, não deve chegar nem ao segundo turno.

O PT acusa a Lava Jato de calibrar as operações para fragilizar ainda mais o partido neste período eleitoral, mas sabe que a nova safra de delações, tendo à frente a Odebrecht, dá munição aos investigadores para mergulhar ainda mais fundo em suas investigações. Sem falar na surpresa da semana passada, quando um depoimento do empresário Eike Batista serviu como base para a operação que teve como alvo Guido Mantega, o ministro da Fazenda mais longevo do país, tendo servido tanto aos ex-presidentes Lula como Dilma Rousseff. Agora, Mantega e também Palocci entram no centro das investigações, dois homens da total confiança de Lula. Principalmente o segundo, que foi o fiador do primeiro mandato do petista junto ao empresariado. Era ele quem fazia a ponte entre Lula e os pesos-pesados da economia.

Palocci foi o idealizador da Carta ao Povo Brasileiro, que deu segurança ao PIB brasileiro para apoiar o governo Lula logo no seu início, em 2003. Participou tanto da primeira campanha como da segunda, nesta mais nos bastidores, do ex-presidente. Era ele quem fazia também as primeiras conversas com o empresariado na busca de doações de campanha, que depois eram acertadas entre as empresas e os tesoureiros oficiais das campanhas de Lula. Desempenhou o mesmo papel, logo em seguida, na primeira campanha presidencial de Dilma Rousseff. Foi colocado na coordenação da campanha dilmista na condição de homem de Lula. Virou ministro da Casa Civil por indicação dele. Caiu cinco meses depois por causa de consultorias prestadas a empresas, inclusive durante a campanha eleitoral que elegeu Dilma pela primeira vez presidente da República. Agora, suas ações durante e depois das administrações petistas viram a maior preocupação do PT, Lula e Dilma. A conferir os próximos passos.

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