Greca e Ney no confronto do 2º turno

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O primeiro debate do segundo turno entre os candidatos a prefeito de Curitiba foi marcado por uma batalha simbólica entre o discurso da “experiência” exibido por Rafael Greca (PMN) e o de “renovação”  nas palavras de Ney Leprevost (PSD).

Enquanto Greca questionou a formação e a capacidade do oponente para governar a cidade, Leprevost procurou “colar” no adversário a pecha de político vaidoso e ultrapassado que faz promessas mirabolantes e inviáveis. Greca tentou mostrar que Leprevost não teria conhecimento da cidade e o preparo necessário para administrar a prefeitura e que o adversário copiaria suas propostas. O candidato do PSD reagiu acusando o ex-prefeito de arrogância e de se apropriar de ideias de outras pessoas sem dar crédito.

Lá e cá
O candidato do PMN questionou Leprevost por ter se formado à distância em Administração na Universidade do Tocantins e conciliado o curso com a carreira de parlamentar. “Formado em administração no Tocantins como você vai enfrentar a situação do prefeito Gustavo fruet ter acabado com as equipes de manutenção da cidade?”, questionou. “Eu não me formei no Tocantins, eu me formei pela Universidade Estadual do Tocantins”, respondeu o candidato do PSD, que aproveitou para mencionar sua relação pessoal e política com os professores e ligar o adversário ao episódio do confronto de 29 de abril no Centro Cívico entre grevistas e a polícia na votação do ajuste fiscal do governo Beto Richa, apoiador do adversário. “Eu comecei a estudar na escola estadual Nice Braga onde a Tia Rose professora que me inspirou a me posicionar muito firme naquele episódio dos professores, naquele triste episódio de violência que aconteceu no Paraná”, afirmou.

Greca insistiu no tema da formação, lembrando de seus professores e colegas na universidade, e pedindo para que Leprevost falasse sobre seus professores. O candidato do PSD respondeu afirmando que tem orgulho hoje de ter como consultores muitos dos colaboradores do ex-prefeito e ex-governador Jaime Lerner. “Eu conheço muito sobre nossa Curitiba, estou muito preparado para administrar a cidade, mas não vou ser centralizador nem autoritário”, disse
Greca mencionou debate anterior em que o adversário afirmou que suas propostas para educação eram inexequíveis do ponto de vista financeiro para perguntar se ele considerava investimento na área um gasto. Leprevost usou a resposta para novamente apontar a suposta “vaidade” do ex-prefeito. “Na nossa gestão, o maior farol do saber da cidade será cada professor.

Não quero fazer uma administração apenas de monumentos. Não tenho vaidade e nem quero criar algo pessoal apenas para me promover com recursos do contribuinte”, afirmou. “Já consegui uma coisa boa. Anteontem ele dizia que educação era gasto, hoje já diz que é investimento e repete quase todas as minhas propostas”, rebateu o candidato do PMN.
Leprevost acusou o adversário de prometer fazer tudo no primeiro dia de governo. “Eu às vezes fico em dúvida se meu oponente é candidato a prefeito ou a mágico. Temo que não seja possível fazer tantas promessas assim para o primeiro dia de gestão”, disse. “Eu não sou mágico, eu tenho vontade. Se está difícil para você imaginar o que fazer, deixa que eu faço”, afirmou Greca.

Conhecimento e vaidade
O ex-prefeito perguntou então a Leprevost sobre quais os rios da cidade inundaram com as chuvas do dia seguinte, em uma tentativa de mostrar o desconhecimento da cidade pelo adversário. O candidato do PSD respondeu afirmando que trabalhará em equipe. “Eu sou humilde. Eu não sofro dos pecados da arrogância, da prepotência. Não me considero professor de Deus”, afirmou. Greca questionou a promessa de Leprevost de construir um novo hospital para atendimento pediátrico. Afirmou que seria melhor usar o hospital Pequeno Príncipe para ampliar os atendimentos. “O Hospital Pequeno Príncipe já está sobrecarregado. As filas chegam a 5 horas. Não temos que aumentar a quantidade de crianças dentro do hospital Pequeno Príncipe. Temos que atender os casos mais simples, menos graves, nos bairros”, respondeu Leprevost. “Eu comecei a campanha dentro do Pequeno Príncipe falando desse programa e o senhor leu na internet”, devolveu Greca.

“Modernidade” versus “idade”
O candidato do PMN perguntou sobre a proposta de criação de um cartão de saúde para afirmar que o programa já existe no SUS. “Essa história do PAS é propaganda enganosa. É algo que já existe”, afirmou. Leprevost afirmou que se trata de um sistema de controle de dados de usuários. “Eu entendo essa sua dificuldade para entender essas coisas modernas”, disse. “Virou humorista dizer que eu tenho dificuldade para entender de coisas modernas. Eu trouxe internet para Curitiba. Você tem essa mania de dizer que eu tenho mais idade que você. Mas você está envelhecendo. Eu também. Começa a envelhecer na hora que nasce”, rebateu o ex-prefeito.

Greca afirmou então que Leprevost teria prometido colocar um guarda municipal em cada ônibus. “Vai contratar seis mil guardas?”, perguntou. “Eu jamais disse que ia colocar um guarda municipal por ônibus”, afirmou o candidato do PSD, dizendo que na verdade seriam no máximo 180 agentes. ‘Me assusta a sua dificuldade de entender o que é trabalho de inteligência”, ironizou. O problema da falta de moradia foi o assunto seguinte. “Teu plano de governo até ontem não tinha nada sobre habitação. Acho que a reunião com a Caixa fez bem. Agora tem nove palavras”, atacou Greca. “Acho interessante o senhor ter tempo para ler meu plano de governo durante a campanha. É sinal de que crescemos muito”, devolveu Leprevost.

“A proposta nova contra a velha política está em ouvir o povo e se colocar com humildade em posição para servir as pessoas”, concluiu Greca nas considerações finais do quarto bloco. “Trarei para trabalhar comigo as pessoas mais preparadas. Não transformarei a prefeitura em um balcão de negócios”, encerrou Leprevost.

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