Estatal mais prejudicada pelo PT, Petrobras tem dívida bilionária e grande desconfiança do mercado (impeachment ponto a ponto)

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Considerada por vários anos a principal empresa do país e motivo de orgulho para os brasileiros pela sua importância no mercado externo, hoje a Petrobras tem pela frente um futuro permeado por incertezas.

A enorme dívida da empresa após ser vítima do maior escândalo de corrupção da história do país, de cerca de R$ 397 bilhões, os consecutivos prejuízos registrados – apenas no ano passado, o déficit da estatal foi R$ 34,8 bilhões -, os problemas envolvendo o Petros, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, que fechou o último ano com um rombo de R$ 23 bilhões, são apenas alguns dos problemas econômicos que a direção da estatal têm pela frente.

Como se não bastassem as dificuldades internas, toda essa recuperação deverá ser feita sob o olhar desconfiado do mercado financeiro, uma vez que a estatal perdeu o selo de bom pagador nas três principais agências de classificação de risco do mundo. O deputado federal Nilson Pinto (PSDB-PA) vê a situação atualmente vivida pela Petrobras como o principal retrato da relação equivocada que o governo federal manteve com as estatais durante os anos em que Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff estiveram na Presidência da República.

Para o tucano, situações como as indicações políticas para cargos de chefia nas estatais estão na raiz dos problemas de má gestão e corrupção nas empresas públicas brasileiras. “Os problemas de corrupção derivaram da visão equivocada que o governo federal teve para com as empresas ao longo desses últimos anos em que o governo encarou as empresas como locais onde ele podia fazer política, financiar campanhas, colocar seus apaniguados, empregar gente, ou seja, fazer tudo o que uma empresa não deve fazer se quiser ser eficiente. Então é necessária uma mudança de paradigma na relação entre o governo federal e as estatais. Isso vale para a Petrobras, para a Eletrobras, vale para todas”, pontuou o parlamentar paraense.

Na visão de Nilson Pinto, a petrolífera foi, dentre as estatais, a principal vítima dos governos do PT justamente por ser a mais importante empresa pública do país e, consequentemente, movimentar um volume maior de dinheiro. “A Petrobras foi alvo maior da sanha do governo petista porque ela é a maior de todas as empresas nacionais e ela foi encarada como a joia da coroa. Não foi à toa que, em vários depoimentos, delatores [na Operação Lava Jato] disseram que a Petrobras ‘é do presidente’, se referindo à relação direta que havia entre o presidente da República e a empresa. Na verdade, ela foi o objeto de saques mais vistosos porque era a maior de todas”, avaliou.

Recuperação

Alguns dados revelam que a Petrobras já começa a respirar, especialmente após o afastamento de Dilma Rousseff. No segundo trimestre deste ano, por exemplo, a empresa registrou um lucro de R$ 370 milhões, após nove meses consecutivos de prejuízos. Outro ponto a ser celebrado é a diminuição da dívida líquida da empresa. Apesar de ainda serem elevadíssimos, os débitos da companhia passaram de R$ 450,015 bilhões para R$ 397,760 bilhões nos últimos meses.

A queda na dívida foi possibilitada por fatores como o aumento da produção de petróleo e de derivados, a política de corte de custos implementada pelo novo presidente da estatal, Pedro Parente, e a valorização do real frente ao dólar desde que Michel Temer assumiu a presidência interinamente, já que a dívida da petrolífera é calculada na moeda norte-americana. Para Nilson Pinto, apesar das dificuldades, é sim possível que a Petrobras se recupere desde que abandone de vez as práticas nocivas à própria empresa, que se tornaram típicas durante as administrações petistas.

“É uma situação difícil, mas é reversível. A Petrobras tem um quadro de servidores tecnicamente competentes, tem ‘know-how’ tecnológico acumulado ao longo do tempo, tem reservas para explorar, tem todo um mercado para explorar, a Petrobras tem a possibilidade de se recuperar. Precisa, no entanto, de uma administração austera e uma gestão eficiente, que não faça concessões a politicagem, que não sirva de instrumento de politicagem para o governo”, argumentou.

Para o deputado pelo estado do Pará, além das mudanças aplicadas pela gestão de Pedro Parente, o próprio trabalho feito pelos investigadores da Operação Lava Jato vem sendo importantíssimo para o processo de restruturação da Petrobras. “Todo o trabalho feito ao longo desses anos, de denúncia de corrupção, que acabaram expondo as vísceras da empresa, também ajudaram. Não existe melhor detergente do que a luz do sol, e as entranhas da Petrobras foram expostas à luz do sol. O fato de que os desmandos foram denunciados, os comportamentos espúrios foram identificados e a administração foi alterada, para colocar gente séria, fez com que a empresa começasse a reagir. Eu não tenho dúvida de que é o início de um caminho no rumo certo”, concluiu Pinto.

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