Uber delivery começa operar no Brasil


Serviço de entrega de comida da empresa só foi lançado em São Paulo até agora, mas concorrentes já começam a aparecer, inclusive em Curitiba

O Uber lançou este mês um serviço de delivery de comida usando o sistema de transporte já bem conhecido dos brasileiros. O Uber Eats tem a proposta de viabilizar a entrega de restaurantes cadastrados por meio de motociclistas e ciclistas que se registraram no Uber. Por enquanto, está em operação apenas em São Paulo – e em fase Beta, com mais de 100 restaurantes disponíveis no app.

Em material enviado pela assessoria de imprensa, o Uber diz que uma das vantagens do serviço, para o usuário, é poder acompanhar o preparo e a entrega da comida em tempo real. Para os restaurantes, é poder “delegar à Uber a logística e se focar no que mais importa: a comida”. E para os entregadores parceiros, a “oportunidade de gerar renda em horários flexíveis”.

A assessoria de imprensa do Uber informa que ainda não há notícias sobre o lançamento do serviço em outras cidades. Mesmo em São Paulo, podem usar o app só alguns usuários restritos, que receberam um convite para experimentá-lo e apenas em alguns bairros da cidade. Mas, em Curitiba, aplicativos já foram lançados com o objetivo de concorrer com o novo serviço do Uber.

Um exemplo é o SpoonRocket, que pertence ao Grupo iFood. O serviço garante entrega rápida, de cerca de 35 minutos, de comida de restaurantes que não possuíam o serviço de delivery. Outro é o T81, que apesar de ter foco, hoje, no transporte de passageiros e na entrega de documentos, também oferece o serviço de delivery em oito cidades brasileiras, inclusive a capital paranaense.

“No mercado brasileiro, apenas 30% dos restaurantes fazem entrega. Os outros 70% não fazem pela dificuldade de operação, de atender a demanda”, observa Roberto Gandolfo, CEO do SpoonRocket. O aplicativo foi lançado em setembro deste ano em São Paulo e, em outubro, chegou a Curitiba. A tecnologia foi adquirida nos EUA em março deste ano. A inteligência presente no aplicativo calcula a distância entre o usuário e o estabelecimento e seleciona o entregador mais próximo para levar a comida do restaurante até a casa do cliente, afirma a empresa.

Por mês, a plataforma recebe cerca de 60 mil pedidos, dos quais 10% já são de Curitiba, diz Gandolfo. Para os usuários, o aplicativo está com taxa de entrega grátis ainda por tempo indeterminado. Dos restaurantes, o SpoonRocket cobra 27% de comissão sobre as vendas.

Treinamento

Apesar de se posicionar como concorrente do Uber Eats, o SpoonRocket tem diferenças no sistema de entrega: em vez de contar com o serviço de motociclistas autônomos, o SpoonRocket faz parcerias com operadores logísticos, que disponibilizam para o serviço entregadores contratados. Isso, segundo o CEO, garante poder atuar dentro do que a lei já permite. “Lá fora já é natural a forma de contrato independente. Mas aqui isso não é claro ainda.”

Já o T81 atua com sistema semelhante ao Uber – os motoristas se cadastram e recebem um treinamento para começar a trabalhar usando o aplicativo. Basta apresentar documentos pessoais e documentos da moto. A empresa checa também os antecedentes criminais do interessado.

Mercado fértil
Curitiba, na visão do sócio-gestor do T81 na capital, Bruno Pereira, é um mercado fértil para o serviço de delivery do aplicativo, mas o trabalho de divulgação com restaurantes e motoristas da cidade ainda está para começar. “Vamos fazer o trabalho de captação de motoristas e de mídia. Vamos lançar uma nova proposta que será a mais barata de todas.” Quanto a possíveis entraves regulatórios, ele diz já estar preparado para enfrentar esse tipo de problema na expansão do serviço em algumas cidades. Para contornar essas situações, a equipe jurídica do aplicativo será acionada para estudar e analisar uma maneira de o serviço atuar no local em questão.

A taxa de uso do T81, para carros, está fixada hoje em R$ 0,99. Para motocicletas, ainda não há valores definidos, mas Pereira garante que serão tão baixos quanto os de carro. Para os restaurantes, a taxa será a mesma, e poderá ser incluída ao valor total do pedido. Na visão do sócio-gestor, a taxa cobrada pelo app compensa mais que ter entregadores contratados.

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