Briga na Justiça ameaça candidatura de Requião Filho

Portal Bem Paraná:

Uma nova disputa judicial no PMDB ameaça a pré-candidatura do deputado estadual Maurício Requão Filho, filho do senador Roberto Requião (PMDB), à prefeitura de Curitiba nas eleições de outubro.

Na semana passada, os dissidentes do partido, liderados pelo ex-deputado estadual Reinhold Stephanes Júnior e o ex-governador Orlando Pessuti, retomaram o controle do Diretório Municipal do PMDB curitibano, que havia sido dissolvido pela direção estadual da legenda, presidida pelo senador. O grupo convocou uma convenção para o próximo dia 23 e desafiou Requião Filho a entrar na disputa pela direção da legenda na Capital, ao mesmo tempo em que anunciou a intenção de barrar sua candidatura em favor dos nomes de Stephanes Júnior e Pessuti.

“Sou candidato a presidente e os interessados terão até a próxima terça-feira, para registrar as chapas e disputar no voto a direção do partido e os integrantes do diretório”, disse o secretário-geral do PMDB de Curitiba, Doático Santos. O recado, segundo ele, é direto ao deputado Requião Filho. “Se ele quiser, pode disputar a convenção, não há nenhuma restrição, mas tem que ser no voto, tapetão não funciona na história democrática do PMDB”, afirmou.

Doático disse ainda que os convencionais farão um apelo a Pessuti e a Stephanes Junior para que permaneçam no partido. “Um dos dois será nosso candidato a prefeito. Eles devem definir isso”, explicou. O grupo dissidente conseguiu reverter a dissolução do diretório curitibano, a partir de decisão do juiz Paulo Guilherme Mazini, da 11ª Vara Cível de Curitiba, que reconduziu Stephanes Jr à presidência da legenda na Capital.

Na liminar, o juiz mandou suspender “o ato administrativo que impôs a dissolução do diretório do PMDB de Curitiba” e determinou reconduzir os dirigentes partidários que ocupavam os cargos no diretório antes da sua dissolução. “O que vou fazer agora e ter uma reunião com (Orlando) Pessuti e definir qual dos dois, eu ou ele, que será candidato a prefeito pelo PMDB em Curitiba”, disse Stephanes Jr.

Segundo o ex-deputado, a decisão da Justiça inviabiliza a candidatura do deputado Requião Filho, que segundo ele foi imposta pela direção estadual do partido, comandada pelo senador. “Temos maioria no diretório e ganhamos no voto a convenção que vai indicar o candidato a prefeito”, garante.
Sob a presidência do senador, a Executiva do PMDB paranaense, por sua vez, aprovou resolução segundo a qual todas as coligações e chapas para as eleições deste ano terão que passar pela direção estadual. Com isso, ele e seu grupo manteria a palavra final sobre alianças e candidaturas.

Racha – A briga é o desdobramento de um “racha” que vem desde as eleiçõe de 2014 para o governo, quando a ala dissidente pretendia apoiar a reeleição do governador Beto Richa (PSDB), mas foi derrotada na convenção que optou pela candidatura própria de Requião. O grupo do senador então dissolveu o diretório estadual e tentou expulsar Pessuti, acusando-o de infidelidade partidária por ter apoiado o tucano. O ex-governador conseguiu reverter a expulsão na Justiça.

A briga promete ir longe, já que pela nova lei eleitoral, os partidos têm até 5 de agosto para definir seus candidatos. E até lá, a previsão é de uma nova longa batalha judicial em torno do controle e do futuro do PMDB da Capital.

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